Lembro que, quando li o livro “Pai Rico, Pai Pobre” de Robert Kiyosaki, senti um incomodo. Não foi pela escrita, que é bem direta, mas porque ele mostra um erro no nosso sistema educacional. A gente passa décadas aprendendo e se especializando, mas trata o dinheiro como um assunto administrativo.
Meu incômodo nasce exatamente daí.
Kiyosaki separa o mundo entre quem trabalha pelo dinheiro e quem faz o dinheiro trabalhar para si. Ele bate na ideia de que nossa educação foi desenhada para criar excelentes funcionários. Somos peças de reposição de luxo que não entendem a diferença crucial entre um ativo e um passivo.
Para quem vive de tecnologia, o conceito de ativo deveria ser simples: é algo que coloca dinheiro no seu bolso. O passivo tira. O problema é que a gente mascara passivos com nomes bonitos. O carro zero na garagem ou aquele apartamento financiado em vinte e cinco anos são tratados como conquistas, mas são apenas drenos de energia e capital.
É preciso admitir que fomos treinados para a corrida dos ratos, onde qualquer aumento de salário é imediatamente engolido pelo aumento do nosso padrão de consumo.
O que o livro “Pai Rico, Pai Pobre” realmente ensina, e que muitos de nós ignoram por puro preconceito acadêmico, é sobre assumir o controle. Ray Dalio, um dos maiores gestores de risco do mundo, reforça que entender a realidade e saber lidar com ela é a base para qualquer progresso. Kiyosaki segue a mesma linha: inteligência financeira é a capacidade de resolver problemas financeiros.
Aprender sobre dinheiro incomoda porque exige que olhemos para nossas inseguranças. É muito mais fácil culpar a empresa ou o governo do que admitir que não temos a menor ideia de como ler um balanço.
No fim do dia, a liberdade não vem de altos cargos, mas da integridade de saber que sua vida não desmorona se o seu crachá parar de funcionar amanhã. É sobre parar de vender cada minuto da sua existência por um punhado de reais e começar a construir algo que tenha substância própria.
A vida continua e as contas vão chegar.
O sistema vai seguir tentando te vender a ideia de que o sucesso é um financiamento aprovado. Cabe a você decidir se quer continuar sendo um excelente operador de sistemas ou se vai finalmente começar a operar o seu próprio sistema.
