Pular para o conteúdo
Início » Qual é a tua obra? Uma breve reflexão sobre o que deixamos

Qual é a tua obra? Uma breve reflexão sobre o que deixamos

A leitura do livro “Qual é a tua obra?“, de Mario Sergio Cortella, traz a sensação de um despertar, especialmente para quem já trilhou um longo caminho na vida. Este tipo de leitura é um ótimo convite para sairmos do modo automático e questionarmos o sentido do que fazemos todos os dias.

A diferença entre o emprego e a obra

A provocação central de Cortella é simples e profunda. Você tem um emprego ou você tem uma obra? Pois o emprego é apenas o meio de subsistência, aquela troca necessária de tempo por remuneração. Já a obra é a materialização da nossa existência, pois é aquilo que nos define e que permanece mesmo quando não estamos mais presentes.

Ao longo da leitura, entendi que a nossa “obra” não depende da importância do cargo que ocupamos, mas da integridade e da paixão que colocamos naquilo que nos propomos a fazer. É a nossa assinatura no mundo.

Liderança como um compromisso ético

Cortella discute a liderança sob uma ótica que muitas vezes esquecemos: a da sua virtude.

  • O verdadeiro líder é aquele que eleva o outro, que cria condições para que todos ao seu redor também possam construir suas próprias obras.
  • A ética não é um conceito abstrato, mas a prática diária de decidir o que é justo, o que é bom e o que é correto para o coletivo.
  • No fim das contas, a liderança é uma forma de serviço. Quem não serve, não serve.

A vida é curta demais para ser pequena

Essa é, talvez, a frase mais marcante da obra. Porque nos lembra que o tempo é o nosso recurso mais escasso. Viver uma “vida pequena” é passar pelos dias sem consciência, sem propósito e sem o desejo de excelência.

Para quem busca uma trajetória com significado, a leitura funciona como uma bússola. Ela nos empurra a buscar o melhor em vez do possível. Fazer o melhor nas condições que temos, enquanto não temos condições melhores para fazer melhor ainda.

Tenho uma história comigo de um vocalista de heavy metal (que na época era punk) que foi expulso de uma banda, e que depois seguiu carreira solo até os seus últimos dias. Quando morreu, de tão medíocre que foi sua trajetória, as pessoas diziam que “ele morreu sendo cover dele mesmo”.

Onde está a sua assinatura?

A leitura me deixou com um pensamento. E se parássemos hoje, o que o nosso trabalho e nossa vida diria sobre nós? A nossa obra é o conjunto de valores que defendemos e a qualidade do impacto que causamos na vida das pessoas.

Não se trata de buscar aplausos, mas de buscar a consciência tranquila de quem não foi apenas um figurante na própria história.